Quem são os aliados de EUA e Irã no Oriente Médio

  • 28/02/2026
(Foto: Reprodução)
EUA e Israel realizam ataque coordenado contra o Irã Os ataques de EUA e Israel ao Irã são mais um movimento que ocorre no tabuleiro geopolítico do Oriente Médio. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp A região, uma das mais conflituosas do mundo desde meados do século XX, também é uma das que mais abriga bases militares norte-americanas. As bases são um indicativo da importância que os EUA dão à região. Ao longo dos anos Washington construiu uma série de alianças com países, inclusive com o Irã — Teerã rompeu as relações, no entanto, com o triunfo da Revolução Islâmica, em 1979, que derrubou o xá Mohammad Reza Pahlavi e instituiu o regime dos aiatolás. Desde então, os iranianos costuraram uma rede de apoio entre os vizinhos, majoritariamente entre os grupos xiitas. Os principais atores dessa rede não costumam ser líderes de países, mas organizações que atuam paralelamente ao Estado, às vezes instaurando governos rebeldes. Ao mesmo tempo em que os EUA construíram uma sólida rede de apoio, o ataque ao Irã está longe de ser consenso - muitos estados pró-Washington se posicionaram contra uma guerra por motivos próprios. Veja, abaixo, quais são os principais aliados dos EUA e do Irã na região: Aliados dos EUA Israel: é o principal aliados dos EUA no Oriente Médio, recebendo armamento e compartilhando inteligência e tecnologia militar. Arábia Saudita: Riad mantém laços estreitos com o Ocidente e com os EUA há décadas, com desavenças pontuais que jamais chegaram perto de escalar para um conflito aberto. Por ser o mais poderoso país sunita da região, além de controlar Meca, a cidade mais sagrada do Islã, há uma desavença aberta entre o país e o Irã, xiita. Emirados Árabes Unidos: o país na península arábica mantém uma forte cooperação militar e econômica com os EUA. Jordânia: a monarquia da família Hashem é uma tradicional aliada das potências ocidentais, assim como a família Saud, da Arábia Saudita. Bahrein: aliado de primeira hora da Arábia Saudita e dos EUA, que estabeleceu um acordo com o país insular do Golfo Pérsico para abrigar a sua Quinta Frota marítima. Kuwait: é um aliado estratégico dos americanos no Golfo Pérsico. Os EUA saíram em defesa do país quando este foi invadido pelo regime de Saddam Hussein, do Iraque, em 1990. Desde então, os dois países são parceiros em diversos acordos de Defesa. Egito: embora não se alinhe automaticamente aos EUA em todas as questões do Oriente Médio, o governo do Cairo recebe ajuda militar americana desde os anos 1970, quando se viu obrigado a reconhecer Israel e se aproximar do Ocidente para receber de volta o controle da Península do Sinai, conquistada por Tel Aviv em 1967. Atualmente, tenta adotar uma postura de mediador de conflitos na região. Síria: o país era um dos principais aliados do Irã durante o regime de Bashar al-Assad, cuja família pertencia a um ramo da minoria xiita local. Com a queda de Assad, o atual presidente interino, Ahmed Al-Sharaa, um ex-integrante da Al Qaeda (sunita) local, busca aproximação com Trump e com Israel. Embora seja visto com desconfiança pelos ocidentais, ele manteve o espaço aéreo aberto para aviões militares israelenses atacarem o Irã na guerra de doze dias em junho de 2025. Aliados do Irã Iêmen (houthis): o país é efetivamente controlado pelos houthis, um grupo xiita que tomou o controle da capital, Sanaa. O regime não tem amplo reconhecimento e é considerado rebelde por boa parte da comunidade internacional. Os houthis recebem apoio militar de Teerã e empreendem ataques ocasionais a Israel. Hezbollah: o grupo extremista é um partido libanês xiita dotado de uma milícia que age como força paramilitar. Enquanto o Líbano permanece formalmente neutro, o Hezbollah atua em forte aliança com Teerã. O grupo foi fortemente enfraquecido em 2024 com o ataque a pagers do grupo por Israel, e pela morte de seu líder Hasan Nasrallah. Hamas: um dos raros aliados sunitas do Irã. Tanto o Hamas, originário da Irmandade Muçulmana, quanto os aiatolás compartilham a aversão ao estado de Israel com raízes na identidade islâmica. Paquistão: não é considerado um país do Oriente Médio, mas faz fronteira com o Irã e costuma se alinhar a Teerã quando o vizinho é atacado ou ameaçado. Países neutros ou aliados ocasionais As redes de apoio no Oriente Médio não são estanques; os países mantém objetivos, aliados e inimigos próprios. Alguns deles se destacam por posições deliberadamente neutras ou por seus canais diplomáticos: Catar: sede da maior base americana dos EUA na região, Al Udeid, o país tem maioria xiita, estabelecendo um canal de relações com o Irã. O emirado com sede em Doha não considera os conflitos na região como de seu interesse e tem buscado adotar um papel de mediador. Omã: o sultanato tem como princípio central da sua diplomacia a neutralidade pragmática e aposta na estratégia de não confrontação e mediação de conflitos. Frequentemente ele age como canal de diálogo entre rivais. Iraque: ao mesmo tempo em que é parceiro dos EUA na área de defesa, desde a queda de Saddam Hussein, em 2003, o atual regime de governo busca equilibrar as forças xiitas e sunitas da sociedade. Por meio dos políticos xiitas, Teerã e Bagdá normalizaram relações. Mapa mostra as bases militares dos EUA no Oriente Médio. Kayan Albertin/Arte g1 Bases dos EUA Os EUA possuem 19 bases militares no Oriente Médio, oito delas controladas pelo país e outras 11 com presença de tropas e equipamentos militares, segundo o Congresso norte-americano: Kuwait: 5 bases; Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Arábia Saudita e Síria: 2 bases cada; Egito, Jordânia, Omã, Catar: 1 base cada. A maior delas fica no Catar. É a de Al Udeid, que abriga cerca de 10 mil soldados. Outras bases da região, principalmente na Jordânia, têm sido utilizadas para acumular jatos de guerra para um eventual ataque contra o Irã. Em janeiro, países da Península Arábica, que tem alguns dos maiores aliados dos EUA no Oriente Médio, proibiram o governo Trump de utilizar seus espaços aéreos e terrestres para lançar um ataque contra o Irã. Foi o caso da Arábia Saudita, da Jordânia, e dos Emirados Árabes Unidos. Onda de protestos no Irã Bruna Azevedo/Editoria de Arte g1 Ali Khamenei e Donald Trump Gabinete do Líder Supremo do Irã via AP; AP Photo/Evan Vucci

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/02/28/quem-sao-os-aliados-de-eua-e-ira-no-oriente-medio.ghtml


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