Protetores de animais denunciam desaparecimento de mais de 20 cachorros de lar temporário no Grande Recife

  • 13/08/2026
(Foto: Reprodução)
Post divulgado no Instagram sobre o desaparecimento dos animais Reprodução/Instagram Um grupo de protetores de animais denunciou que, ao menos, 22 cachorros sumiram após serem levados para uma instituição de acolhimento em Jaboatão dos Guararapes, no Grande Recife. Ao g1, a defesa dos três tutores que apadrinhavam os cães desaparecidos disse que eles deram pela falta dos bichos ao tentar retirá-los do abrigo por suspeita de maus-tratos. "Essas histórias chegaram para mim no começo de abril. Com o passar do tempo, começaram relatos de animais que estavam sumindo. As pessoas procuravam saber e não tinham respostas. Ou então, quando tinha algum tipo de resposta, era: 'foi adotado'. Sim, mas foi adotado por quem? E começavam a mandar fotos dos animais, e as pessoas começaram a desconfiar que eram imagens com IA", disse a advogada Anaís Araújo. ✅ Receba no WhatsApp as notícias do g1 PE De acordo com a advogada, os tutores pagavam entre R$ 400 e R$ 600 por mês para manter cada animal no lar temporário, onde os cachorros permanecem até serem adotados por alguém definitivamente. Ela informou, ainda, que o caso é investigado pela Polícia Civil sob segredo de Justiça e, por isso, não pode dar detalhes sobre o local. O g1 apurou que a entidade envolvida na denúncia é a Pet Help Recife, que funciona no bairro de Piedade, onde foram registrados os 22 casos denunciados, que ganharam repercussão nas redes sociais. A instituição também tem uma unidade em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife. Procurada, a Pet Help negou as acusações e informou que as providências legais cabíveis já estão sendo adotadas nas esferas cível e criminal (veja resposta abaixo). Agora no g1 Segundo a advogada Anaís Araújo, um dos relatos é de uma protetora que havia deixado 34 animais. Após as denúncias de maus-tratos, ela tentou retirá-los, mas apenas 20 foram devolvidos e, desde então, tenta descobrir o que aconteceu com os demais. De acordo com a advogada, a tutora pagava cerca de R$ 15 mil por mês à instituição. "Quando ela foi tirar os animais, primeiro encontrou uma burocracia imensa, porque não queriam permitir. Disseram que precisava marcar, foi uma confusão. Quando conseguiu fazer a retirada, em abril, devolveram apenas 20 animais. Ela perguntou: 'Onde estão os meus outros animais? Eu quero os meus outros animais'. Aí começou toda essa questão", relatou. Outra tutora havia deixado nove animais no local e pagava cerca de R$ 5 mil por mês. Segundo a advogada, ela conseguiu retirar apenas um cachorro, que estava magro e em condições diferentes de quando havia sido entregue ao lar temporário. "Quando esse cachorro voltou, ele estava magro. E ele não foi entregue daquele jeito ao local. Então começaram a surgir outras situações, e as denúncias passaram a aparecer", disse. Além disso, a advogada disse que, quando os tutores questionavam sobre o paradeiro dos animais, recebiam respostas ríspidas. "Quando as pessoas costumavam questionar, ela esculhambava todo mundo. E tudo o que dizia era: 'o jurídico vai tomar conta'", afirmou. O g1 procurou a Polícia Civil para saber quantos boletins de ocorrência relacionados ao caso foram registrados, qual delegacia é responsável pela investigação e se algum inquérito já foi concluído. A corporação, por meio de nota, informou apenas que "tomou conhecimento do caso e está tomando as devidas providências". O que diz a Pet Help Recife Em nota publicada nas redes sociais, a Pet Help Recife informou que, "diante da gravidade dos fatos, as providências legais cabíveis estão sendo adotadas nas esferas cível e criminal". Em entrevista ao g1, Rebeca Souza, responsável pela casa de acolhimento, negou as acusações. "Eu tenho duas unidades e 11 anos de história. Nunca me envolvi com ONG, nem com protetor, nem com nada. Sempre fui uma pessoa independente, que cuidou dos animais sozinha. É muito triste para mim ter que estar dando uma explicação referente sobre isso, de uma coisa que é totalmente inverdade", declarou. Sobre as denúncias de que tutores não conseguiram reaver todos os animais que haviam deixado no local, Rebeca disse que, atualmente, não há nenhum animal cujo tutor tenha solicitado a devolução. "Houve essa entrega. Os que estão solicitando, nunca foram à Pet Help visitar esses animais. Eu sempre tive absoluto controle de fazer o que quiser, uma cirurgia, uma doação, tudo. Nunca tive um contrato sequer com uma dessas pessoas que eu considerava amigas. E foram entregues, sim, os animais. Alguns foram doados. Ainda tentei mostrar o termo de adoção, visita, tudo", afirmou. Rebeca informou também que os valores pagos pelos tutores não se tratavam de mensalidades, mas de doações destinadas a custear as despesas com os animais. "Elas faziam uma doação. Quando elas pagam mensalidade, é quando a gente faz um contrato, feito eu tenho com empresas. Elas faziam doações simbólicas que se referiam à alimentação, à vacina, à castração... Era um valor entre R$ 400 e R$ 300 por mês em que estava incluso tudo", detalhou. Ela disse que também procurou a Polícia Civil e registrou na Delegacia de Boa Viagem um boletim de ocorrência sobre o caso na terça-feira (11). "Eu fiz hoje porque eu estou há sete meses nisso e eu achei que era uma coisa comercial que queriam fazer. Mas chegou num nível tão alto que infelizmente o meu jurídico disse 'Rebeca, você vai ter que fazer alguma coisa'", afirmou. O g1 perguntou a Rebeca Souza em qual tipo de delito o boletim de ocorrência está enquadrado, mas, até a última atualização desta reportagem, não obteve resposta. 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FONTE: https://g1.globo.com/pe/pernambuco/noticia/2026/08/13/protetores-de-animais-denunciam-desaparecimento-de-mais-de-20-cachorros-de-lar-temporario-no-grande-recife.ghtml


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