Policial Civil suspeito de vazar informações de operação que investigava plano para matar autoridades é demitido em MG

  • 10/08/2026
(Foto: Reprodução)
Caio Oliveira Rezende Abreu, preso na Operação Eríneas em Uberlândia Divulgação O investigador da Polícia Civil Caio Oliveira Rezende de Abreu foi demitido após ser acusado de vazar informações sigilosas de uma operação que investigava um plano para matar autoridades de segurança pública em Uberlândia. A decisão foi assinada na quinta-feira (6) pela delegada-geral Elizabeth Debitas Assis Rocha, corregedora-geral da Polícia Civil de Minas Gerais. O documento determina o desligamento do servidor e o cancelamento dos vencimentos em benefício do serviço público estadual. ✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp O caso que levou à abertura do processo administrativo ocorreu em 23 de junho de 2023, quando foi deflagrada a Operação Erínias, em Uberlândia. Na ocasião, uma força-tarefa formada pelo Ministério Público, pela Polícia Civil e pela Polícia Militar (PM) investigava uma organização criminosa suspeita de planejar a execução de agentes públicos ligados à segurança. Caio foi preso preventivamente em 24 de outubro de 2023, durante a segunda fase da operação, por suspeita de colaborar com o grupo criminoso. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), ele teria avisado integrantes do esquema sobre a primeira fase da operação horas antes de ela ser realizada. Na época, também foi informado que o investigador havia sido flagrado fazendo escolta para um dos investigados. A Justiça determinou o afastamento dele do cargo e o recolhimento das armas funcionais. O g1 entrou em contato com o advogado de Caio, Evandro Lívio Morais Moreira, que informou que comentará o caso posteriormente. Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), Caio Oliveira Rezende de Abreu ainda é réu no processo criminal relacionado ao caso e, até o momento, não há sentença. Investigador mantinha contato com suspeito Segundo a decisão administrativa, Caio mantinha contato frequente com um dos suspeitos apontados nas investigações como integrante do grupo criminoso e alvo da Operação Erínias. Na análise do celular do suspeito, foram identificados diversos registros de ligações e mensagens com Caio. O documento também aponta que o investigador fazia consultas em sistemas de informações policiais e enviava os resultados ao suspeito. Na madrugada de 23 de junho de 2023, poucas horas antes da operação, o suspeito ligou para Caio às 1h03. A chamada não foi atendida. Durante o processo administrativo, Caio afirmou que estava dormindo e que não retornou a ligação. A decisão, no entanto, considerou que o conjunto de elementos reunidos no processo era suficiente para caracterizar o vazamento de informações sigilosas. Entre eles estavam a ligação, as mensagens e o relacionamento entre Caio e o integrante do grupo criminoso. O investigador também integrou a equipe responsável pelo cumprimento de um mandado de busca e apreensão da Operação Erínias. A diligência ocorreu em um imóvel ligado a um homem apontado como mandante dos homicídios planejados contra autoridades e servidores da segurança pública. Demissão No processo administrativo disciplinar, a Comissão Processante havia sugerido inicialmente 30 dias de suspensão, convertidos em multa, porque o investigador já estava afastado judicialmente. A Corregedoria-Geral, no entanto, decidiu aplicar uma punição mais grave. Na decisão assinada em 6 de agosto de 2026, Elizabeth Debitas Assis Rocha considerou que as condutas atribuídas ao investigador eram incompatíveis com a permanência dele na Polícia Civil. Caio foi considerado responsável por infrações previstas no Estatuto Disciplinar da Polícia Civil de Minas Gerais, entre elas quebra de sigilo de assuntos policiais, uso abusivo da condição de policial e revelação dolosa de segredos conhecidos em razão do cargo. A punição aplicada foi a demissão a bem do serviço público. A decisão também determina o recolhimento da carteira funcional, das armas e de outros equipamentos que ainda estejam com o servidor, além do cancelamento do acesso dele aos sistemas policiais. A Polícia Federal também deverá ser comunicada sobre a demissão para eventuais providências relacionadas à posse e ao porte de arma de fogo. Armas de fogo apreendidas na segunda fase da Operação Eríneas em Uberlândia Divulgação LEIA MAIS: Suspeitos de movimentar R$ 1 milhão com 'golpe do leilão' são presos Quadrilha que aplicou golpes em sites de leilões falsos é alvo de mandados Ex-vereador é condenado a 6 anos de prisão por desvio de verba Operação Erínias A Operação Erínias foi deflagrada em junho de 2023 para desarticular um grupo suspeito de planejar ataques contra autoridades públicas. As investigações começaram depois que uma testemunha relatou às autoridades um plano para executar um delegado, um promotor, um investigador e um diretor de presídio. Uma carta apreendida no Presídio Professor Jacy de Assis também indicava uma ordem para que o plano fosse colocado em prática. Cerca de três meses depois, em agosto de 2023, a testemunha que havia denunciado o esquema, Leonardo Diego da Silva Dias, foi assassinada a tiros em Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na primeira fase da operação, em junho, dez pessoas foram presas. Entre os alvos estavam o influenciador Lohan Ramires e um ex-policial militar. Os presos temporários foram posteriormente liberados. Após o avanço das investigações, o Ministério Público de Minas Gerais ofereceu denúncia contra os envolvidos. Caio passou a integrar a ação penal posteriormente. Assista: Policial civil que vazou operação é preso em Uberlândia Policial civil que vazou operação é preso em Uberlândia VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas

FONTE: https://g1.globo.com/mg/triangulo-mineiro/noticia/2026/08/10/policial-civil-suspeito-de-vazar-informacoes-de-operacao-que-investigava-plano-para-matar-autoridades-e-demitido-em-mg.ghtml


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