PMs acusados de matar três jovens na Gamboa de Baixo, em Salvador, vão a júri popular

  • 21/07/2026
(Foto: Reprodução)
Jovens foram assassinados em 2022 na Gamboa, em Salvador TV Bahia Três policiais militares acusados de envolvimento na morte de três jovens durante uma ação policial na comunidade da Gamboa de Baixo, em Salvador, vão a júri popular. A decisão foi proferida pela 1ª Vara do Tribunal do Júri da capital e acolheu a denúncia apresentada pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). Os réus são os policiais militares Tárcio Oliveira Nascimento, Thiago Leon Pereira Santos e Lucas dos Anjos Bacelar Dias. Eles são acusados pelas mortes de Alexandre Santos dos Reis, de 20 anos, Cléverson Guimarães Cruz, de 22, e Patrick Sousa Sapucaia, de 16, ocorridas na madrugada de 1º de março de 2022. Na decisão, assinada em 15 de julho, o juiz entendeu que há indícios suficientes de autoria e prova da materialidade dos crimes para que o caso seja analisado por um Conselho de Sentença. 📲 Clique aqui e entre no grupo do WhatsApp do g1 Bahia Segundo a denúncia apresentada pelo MP-BA, em atuação conjunta do Grupo de Atuação Especial Operacional de Segurança Pública (Geosp) e da 2ª Promotoria de Justiça do Júri da Capital, as vítimas foram mortas por disparos de arma de fogo durante uma operação policial realizada na comunidade. Agora no g1 De acordo com a acusação, não houve confronto armado. O Ministério Público sustenta que os três jovens foram baleados após serem abordados pelos policiais enquanto participavam de uma festa na Gamboa de Baixo. Na decisão de pronúncia, o magistrado destacou que há versões conflitantes sobre o que ocorreu naquela madrugada. Enquanto os policiais afirmam que agiram em legítima defesa durante uma troca de tiros, testemunhas ouvidas durante a instrução processual disseram que não houve confronto e que as vítimas estavam desarmadas. O juiz ressaltou que caberá ao Tribunal do Júri analisar as provas produzidas ao longo do processo e decidir sobre a responsabilidade criminal dos acusados. A decisão também manteve as qualificadoras de motivo torpe, perigo comum e recurso que dificultou a defesa das vítimas, conforme pedido do Ministério Público. Segundo o magistrado, há indícios de que os disparos ocorreram em uma área residencial e movimentada, durante um período festivo, o que teria colocado outras pessoas em risco. Os três policiais responderão por três homicídios qualificados, em concurso material, e permanecerão em liberdade até a realização do julgamento. Relembre o caso De acordo com moradores, por volta das 2h do dia 1° de março, os policiais chegaram atirando e jogando gás lacrimogêneo. Durante o tiroteio, as três pessoas foram atingidas. Os três foram socorridos para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiram aos ferimentos. Na Gamboa, a Polícia Militar informou que o trio foi morto em uma troca de tiros com os policiais, e que teria feito uma pessoa refém. A versão foi contestada pelos moradores. [Veja abaixo o que diz a PM] Na época do ocorrido, a mãe de Alexandre, Silvana dos Santos, reforçou que os militares chegaram no local disparando contra a população, e que pediu para ver o filho baleado, o que foi negado pelos policias. “Eles chegaram atirando. Eu não tenho que esconder meu rosto, porque eu não sou uma criminosa. Eu cheguei e falei: ‘moço, eu quero ver meu filho’, e eles apontaram as armas para mim. Eu sou uma criminosa? Se eu fosse criminosa, eu estava mostrando meu rosto? Eu não vou pedir justiça para o homem, não. Eu vou pedir justiça para Deus, porque tudo posso naquele que me fortalece". "Toda a dor que eu estou sentindo hoje, Deus vai me confortar, porque é só ele que vai me confortar. Não adianta espraguejar, porque não vai trazer meu filho de volta, então eu tenho que pedir que Deus proteja eles e a família deles”. Protesto pelas mortes Moradores da Gamboa protestam após três pessoas ficarem baleadas durante ação da PM Por causa da ação, moradores fizeram um protesto na Avenida Lafayete Coutinho, mais conhecida como Avenida Contorno. O grupo fechou a pista nos dois sentidos, tanto na subida para o Campo Grande, quanto na descida para o Comércio, e pediu o fim da violência policial na comunidade. Uma mulher, parente de Alexandre, relatou a situação. Ela, que não teve nome informado, nega que houve troca de tiros na região e, assim como a comunidade, sustenta a versão de que os policiais chegaram no local e atiraram sozinhos. “A polícia chegou aqui para fazer o trabalho dela, mas fez um trabalho truculento. [Os policiais] Chegaram com a viatura dando muitos tiros, chegaram com bombas de lacrimejantes [gás lacrimogêneo], mataram dois meninos aqui, com requintes de crueldade. Eles fizeram isso, deram tiro na população, executaram com sangue frio. Na Gamboa de Baixo não tem só traficante e ladrão, tem moradores, gente de bem, tem crianças. Eles têm que fazer o trabalho deles, a população não mexe, mas chegar da forma que chegaram, dando tiro e matando, tá errado”. “A polícia chegou dando um monte de tiro, ainda abriu a minha torneira para lavar o sangue dos meninos, que eu vi pequenos. Meu sobrinho, que eu peguei no colo e vi desde criança. Um bom menino, que não teve o direito de se defender”. LEIA TAMBÉM: Três pessoas são mortas em ação da PM na Gamboa, em Salvador; comunidade protesta MP denuncia policiais militares por mortes de três jovens na Gamboa, em Salvador; agentes responderão por homicídio qualificado Caso Gamboa: PMs são denunciados por alterar cena do crime para sustentar falso confronto com vítimas, diz MP-BA Veja mais notícias do estado no g1 Bahia. Assista aos vídeos do g1 e TV Bahia 💻

FONTE: https://g1.globo.com/ba/bahia/noticia/2026/07/21/juri-popular-pms-triplo-homicidio.ghtml


#Compartilhe

Aplicativos


Locutor no Ar

Peça Sua Música

Anunciantes