PF aponta movimentação incompatível em restaurante ligado a MC Ryan SP e suspeita de uso da avó como 'laranja'

  • 20/04/2026
(Foto: Reprodução)
Bololo Restaurant, do MC Ryan SP, é alvo de operação da PF Reprodução YouTube A Polícia Federal (PF) identificou uma movimentação financeira superior a R$ 30 milhões, entre débitos e créditos, em um restaurante ligado ao cantor MC Ryan SP e apontou indícios do uso de um familiar como possível “laranja” na administração do negócio. De acordo com relatório de inteligência finaneira obtido pela TV Globo, o montante registrado entre abril de 2024 e outubro de 2025 é flagrantemente incompatível com o porte e a atividade econômica do Bololô Restaurant Bar. A PF sustenta que o local funcionaria como um veículo de integração e possível posto de arrecadação bancarizado para a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). A PF aponta ainda que ele teria utilizado uma manobra de blindagem patrimonial para afastar seu nome de negócios sob suspeita. Logo após ser alvo de buscas e apreensões da Polícia Civil por supostos vínculos com o PCC e esquemas de rifas ilegais, o artista saiu formalmente da sociedade do restaurante. Em seu lugar, entrou sua avó materna. Para a Polícia Federal, a substituição teria sido uma tentativa de ocultar o beneficiário final e desvincular a imagem do artista de transações suspeitas, mantendo o controle financeiro dentro do núcleo familiar. A avó, que declara uma renda de R$ 25 mil, teve movimentações milionárias em sua conta pessoal, e funcionaria, segundo a investigação, como um entreposto de liquidez para o esquema. O monitoramento bancário identificou ainda que o restaurante recebeu recursos de 152 contrapartes com histórico criminal ligado ao tráfico de drogas e organizações criminosas. Foram detectados pagamentos atípicos, entre R$ 2 mil e R$ 10 mil, valores considerados incompatíveis com o consumo de refeições. A hipótese dos investigadores é que o restaurante servia para o recolhimento da cebola — como é chamada a mensalidade paga por membros de facções criminosas à organização. O dinheiro sujo seria misturado ao faturamento legítimo do comércio para conferir aparência de legalidade aos recursos. A investigação, deflagrada na quarta-feira (15), investiga um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas estimado em R$ 1,6 bilhão (leia mais abaixo). MC Ryan SP foi um dos 33 presos na operação. Ele foi detido em uma festa na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral paulista, e teve a prisão mantida pela Justiça após audiência de custódia realizada na quinta (16). Em nota, o advgado de MC Ryan SP, Felipe Cassimiro, informou que o Bololô Restaurant não pertence ao Ryan, se tratou de um presente dele para a avó. Quanto às movimentações, hoje o Bololô é visto como um dos principais restaurantes de São Paulo, altamente frequentado, sobretudo por muitos famosos. A movimentação condiz com o tamanho do empreendimento. O esquema Operação da PF contra transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão prende MC Ryan SP e Poze do Rodo A Polícia Federal revelou que o esquema de uma organização criminosa suspeita de lavar mais de R$ 1,6 bilhão utilizava uma estrutura complexa, com empresas, influenciadores digitais e operações financeiras sofisticadas para ocultar a origem de recursos ilícitos. No total, foram cumpridos 33 de 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás, além do Distrito Federal. Os cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo estão entre os presos. Os influenciadores Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e Chrys Dias, que tem quase 15 milhões de seguidores, também foram presos na operação, além de outros produtores de conteúdo. Como funcionava o esquema bilionário MC Ryan SP e MC Poze do Rodo Reprodução/Redes sociais 💰 Origem do dinheiro Em coletiva de imprensa, o delegado Marcelo Maceira explicou que o dinheiro usado no esquema teria como origem apostas em bets ilegais, rifas digitais clandestinas e tráfico internacional de drogas. Segundo as investigações, o esquema começava com a captação de valores por meio de plataformas de apostas não regulamentadas e rifas ilegais, que arrecadavam dinheiro de milhares de pessoas. Esses recursos eram inicialmente pulverizados em diversas contas bancárias para dificultar o rastreamento. 🔄 Rede de operadores Depois de arrecadado, o dinheiro passava por uma rede estruturada de operadores financeiros, empresas e intermediários responsáveis por centralizar e redistribuir os valores. A decisão judicial, obtida pela TV Globo, descreve um sistema com funções bem definidas, incluindo responsáveis por captação, armazenamento, circulação e reinserção dos recursos no sistema financeiro formal. Dentro desse esquema, eles usavam algumas processadoras de pagamento para circular um montante relevante de dinheiro. Através delas, conseguiram partir para as fases finais de lavagem que era a descentralização desses recursos, a utilização de laranjas para que esse dinheiro não chamasse a atenção de autoridades e ficasse mais difícil fazer o rastreio disso, explicou o delegado. 🧩 Fragmentação e ocultação Para esconder a origem ilícita, o grupo utilizava técnicas típicas de lavagem de dinheiro, como o fracionamento de transferências — prática conhecida como “smurfing” — além do uso de criptomoedas e movimentações entre empresas e contas de terceiros. Também foram identificados indícios do uso de “laranjas” e da transferência de bens e empresas para familiares ou pessoas interpostas, como forma de dificultar a identificação dos verdadeiros beneficiários. 🎤 Empresas e imagem pública Um dos pontos centrais do esquema era o uso de empresas ligadas ao setor artístico e de entretenimento para dar aparência legal ao dinheiro. Os valores ilícitos eram utilizados para custear despesas da carreira artística de alguns investigados pela PF, incluindo cachê de shows. Influenciadores e páginas de grande alcance nas redes sociais também eram contratadas para fazer a divulgação de plataformas de apostas e rifas, contribuindo tanto para a entrada de novos recursos quanto para a legitimação das operações. Um dos alvos da operação é, justamente, Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, conhecida pelas publicações de fofoca e entretenimento. Essas pessoas públicas com muitos seguidores conseguem movimentar grandes quantias sem chamar atenção dos sistemas de compliance das autoridades e dos bancos. Então, eles são muito úteis e facilmente recrutáveis por essas organizações, afirma Maceira. Carros apreendidos em operação da PF contra organização criminosa por lavagem de dinheiro e transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão Divulgação/PF 🏠 Dinheiro convertido em patrimônio Após passar por essas etapas, os influenciadores e artistas investigados acumularam patrimônios milionários por meio da compra de imóveis, veículos de luxo, joias e outros bens de alto valor. Os itens de luxo eram ostentados nas redes sociais. Para a Polícia Federal, essa fase representa a etapa final da lavagem, quando os recursos já aparecem como aparentemente legais e podem ser utilizados sem levantar suspeitas imediatas. As investigações continuam, e os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. LEIA TAMBÉM: Colar com imagem de Pablo Escobar, armas e carros de luxo: veja o que foi apreendido em megaoperação da PF Quem é MC Ryan SP, funkeiro preso em operação da PF contra lavagem de dinheiro Quem é MC Poze, preso pela PF em operação contra um esquema bilionário de lavagem de dinheiro Operação Operação da PF mira organização criminosa por lavagem de dinheiro e transações ilegais de mais de R$ 1,6 bilhão Divulgação/PF Batizada de Operação Narco Fluxo, a ação é um desdobramento da Operação Narco Bet, deflagrada no ano passado. Foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos e equipamentos eletrônicos. Policiais também encontraram armas e um colar com uma imagem do narcotraficante colombiano Pablo Escobar dentro de um mapa do estado de São Paulo. O que dizem as defesas Abaixo, leia a íntegra da da defesa de MC Ryan: A defesa técnica de MC Ryan informa, de forma respeitosa, que até o presente momento não teve acesso ao procedimento que tramita sob sigilo, razão pela qual está impossibilitada de apresentar manifestação específica sobre os fatos. Ressalta-se, contudo, a absoluta integridade de MC Ryan, bem como a lisura de todas as suas transações financeiras. Todos os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada, sendo submetidos a rigoroso controle e ao regular recolhimento de tributos, o que sempre foi observado de maneira contínua e responsável. A defesa confia plenamente que os esclarecimentos necessários serão prestados oportunamente, acreditando que, já no início da investigação, a verdade dos fatos será devidamente demonstrada. Abaixo, leia a íntegra da da defesa de MC Poze do Rodo: A Defesa de Marlon Brandon desconhece os autos ou teor do mandado de prisão. Com acesso aos mesmos, se manifestará na Justiça para restabelecer sua liberdade e prestar os devidos esclarecimentos ao Poder Judiciário.”

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/04/20/pf-aponta-movimentacao-incompativel-em-restaurante-ligado-a-mc-ryan-sp-e-suspeita-de-uso-da-avo-como-laranja.ghtml


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