Operação prende 11 advogados suspeitos de atuar como 'pombo-correio' de facções no Ceará
30/06/2026
(Foto: Reprodução) Operação prende 11 advogados suspeitos de atuar como 'pombo-correio' de facções no Ceará
Uma operação do Ministério Público do Ceará prendeu nesta terça-feira (30) 11 advogados suspeitos de atuar como mensageiros de facções criminosas. Uma suspeita segue foragida, com domicílio na capital paulista.
Batizada de “Mensageiros do Crime”, a operação identificou uma "rede de comunicação estruturada" que utilizava advogados para transmitir ordens de chefes do crime presos para integrantes das facções, dentro e fora do Ceará.
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A ação também cumpriu mandados contra chefes de organizações criminosas e resultou no bloqueio de R$ 20 milhões das contas dos investigados, além da apreensão de bens. Um veículo Range Rover blindado foi apreendido com um dos chefes de facção preso. A operação também apreendeu celulares, notebooks e joias dos demais alvos.
Ao todo, foram expedidos 29 mandados de prisão e 29 de busca e apreensão nos municípios de Fortaleza, Aquiraz, Caucaia, Itatinga, Maracanaú e São Gonçalo do Amarante, além de São Paulo. Segundo o MPCE, 17 mandados de prisão foram cumpridos contra chefes de facção criminosa, sendo que 15 já estavam presos na Unidade Profissional de Segurança Máxima do Estado do Ceará e dois estavam em liberdade.
Durante a operação, um veículo Range Rover blindado foi apreendido com um dos chefes de facção preso. Também foram recolhidos celulares, notebooks e joias dos demais alvos.
Captação de áudio em presídio
Operação cumpre 58 mandados contra chefes de facções e advogados que atuavam como mensageiros no Ceará
Ministério Público/Divulgação
As investigações tiveram início após decisão do Tribunal de Justiça do Estado, em novembro de 2025, que autorizou a captação de imagens e áudios nos parlatórios do presídio de segurança máxima. A análise do material revelou indícios de que determinados advogados, sob o aparente exercício da assistência jurídica, estariam atuavam em favor de organizações criminosas.
De acordo com o MPCE, conversas registradas entre 8 de dezembro de 2025 e 15 de janeiro de 2026 apontaram um padrão reiterado de condutas criminosas entre detentos e advogados, com uso de linguagem codificada para tratar de assuntos ilícitos.
As comunicações incluíam repasse de ordens e orientações a familiares, outros presos e integrantes em liberdade, com finalidades como reorganização de facções, expansão territorial, cooptação de membros, aquisição de armas e circulação de drogas.
As apurações também indicaram que, mesmo presos, os chefes de facção continuavam exercendo funções relevantes dentro das organizações criminosas. Segundo o Ministério Público, os advogados atuavam como “pombos-correio” ou “advogados de recado”, em conduta que extrapola os limites do exercício profissional e contribui para o fortalecimento das facções.
Os diálogos interceptados ainda mostraram que a maioria dos advogados investigados possui vínculos entre si, com referências mútuas constantes, o que indica a existência de uma rede estruturada e não de atuações isoladas.
Também foi identificado que esses profissionais visitavam os mesmos detentos com frequência elevada e realizavam grande volume de atendimentos, em quantidade considerada incompatível com o padrão regular de assistência jurídica, conforme dados do Sistema Integrado de Gestão Penitenciária.
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