Muralha construída com pedras vulcânicas e óleo de baleia no meio do Cerrado intriga pesquisadores, em Goiás

  • 22/03/2026
(Foto: Reprodução)
Muralha construída com pedras vulcânicas e óleo de baleia no meio do Cerrado Na região oeste de Goiás, um mistério intriga historiadores goianos. Trata-se de uma muralha de pedra de 15 km de extensão na cidade de Paraúna. Os pontos curiosos não param somente na construção de origem desconhecida, mas também na composição de basalto negro, rochas vulcânicas e fixadas com óleo de baleia. De acordo com a Prefeitura de Paraúna, a origem exata da formação é desconhecida, com parte dos pesquisadores acreditando se tratar de uma região que possa ter tido origem oceânica, enquanto outra parte acredita que o muro foi construído por mãos humanas, sendo uma divisão entre os povos Incas e Maias. A formação fica no Parque Estadual de Paraúna (Pepa), que é formado pela Serra das Galés e pela Serra da Portaria. ✅ Clique e siga o canal do g1 GO no WhatsApp Além da muralha, o local conta com outras atrações, como cachoeiras e rochas com formatos de tartaruga, cálice, chapéu, e outras figuras. Formação geológica Ao g1, o geólogo Silas Gonçalves explicou que o mistério da muralha talvez seja ainda mais antigo que qualquer civilização, com idade entre 135 e 130 milhões de anos. Ele acredita que a formação nasceu de um dos maiores eventos vulcânicos continentais conhecidos, associado à fragmentação do supercontinente Gondwana e abertura à do Oceano Atlântico Sul. "Esse evento originou a Província Magmática Paraná, responsável pela emissão de grandes volumes de lava basáltica que recobriram extensas áreas do sul e centro do Brasil", explicou. LEIA TAMBÉM: Formações rochosas de milhões de anos em formato de tartaruga e até cálice: conheça cidade em Goiás que conta com paisagens impressionantes Conheça conjunto de cachoeiras com águas azul-turquesa que fica em cidade conhecida como a ‘Buenos Aires de Goiás’ Cachoeira do Segredo: conheça atrativo turístico famoso por cânions e piscinas naturais que teve localização escondida por garimpeiros A lava se estendeu pelas regiões Sul e Centro do Brasil. Após o resfriamento, o material se torna a rocha vulcânica basalto e fica com fraturas conhecidas como juntas de resfriamento. Os blocos de pedra da muralha são divididos. Para Silas, isso também tem a ver com a ação da natureza. Acontece que o processo de desgaste - erosão natural - expôs o alinhamento dos blocos vulcânicos, formando o relevo em linha da muralha. Conclusão do mistério Muralha de pedra, em Goiás Weimer Carvalho/O Popular O geólogo destacou que a formação observada na muralha de pedra não se encaixa com construções artificiais, e sim naturais causadas pela combinação de: Derrames basálticos cretáceos: grandes volumes de lava que se espalharam pela superfície há milhões de anos e depois endureceram, formando o basalto; Fraturamento térmico do basalto durante o resfriamento: quando essa lava esfriou, ela encolheu e acabou rachando naturalmente; Fraturas poliédricas no basalto: essas rachaduras formaram blocos com vários lados, meio "geométricos", em vez de pedras irregulares; Controle estrutural de lineamento geológico NE, NW: as direções dessas fraturas seguem padrões do próprio terreno, alinhadas em certos sentidos (tipo nordeste e noroeste); Erosão diferencial entre basaltos e rochas sedimentares encaixantes: com o tempo, as partes mais frágeis ao redor foram se desgastando mais rápido, deixando o basalto mais resistente em destaque. "Esses processos são comuns em áreas vulcânicas e podem produzir alinhamentos rochosos que lembram estruturas construídas", destacou. Sobre o óleo de baleia, o coordenador da unidade de conservação, Danilo Lessa, pontuou que a afirmação partiu de um dos livros sobre o local, mas que atualmente pesquisadores acreditam que a substância é na verdade dique de diabásio — rocha derretida (magma) que escorreu pelas rachaduras, resfriando dentro das fendas da muralha. Cachoeiras e formas únicas A muralha de pedra não é o único atrativo do parque, que também conta com rochas com nomes variados de acordo com a forma que cada uma delas representa, que varia desde animais até ferramentas (veja abaixo). Outra curiosidade é que foi na Serra da Portaria, dentro do Parque Estadual de Paraúna, que pesquisadores descobriram, em 2021, que dinossauros viveram na região. A confirmação veio a partir da descoberta de um dente de um dinossauro do tipo terópode - espécies bípedes carnívoras ou onívoras. As cachoeiras também são outro destaque do local. Entre elas, está a Cachoeira do Desengano, que é considerada uma das mais bonitas pelos visitantes. Ela fica ao lado da estrada e pode ser visitada sem o acompanhamento de guia. Cachoeira do Desengano, em Goiás Reprodução/Prefeitura de Paraúna Clique aqui e confira outros atrativos do parque. De acordo com Lessa, o parque é aberto ao público, e não exige a contratação de guias, mas a presença dos profissionais é recomendável por segurança. Sobre os horários, ele pontuou que a recomendação é que as visitas aconteçam entre as 7h e 17h. 📱 Veja outras notícias da região no g1 Goiás. VÍDEOS: últimas notícias de Goiás

FONTE: https://g1.globo.com/go/goias/noticia/2026/03/22/muralha-construida-com-pedras-vulcanicas-e-oleo-de-baleia-no-meio-do-cerrado-intriga-pesquisadores-em-goias.ghtml


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