Governo de SP anuncia força-tarefa após alta de feminicídios e diz que estuda criação de 'DHPP da Mulher'

  • 30/03/2026
(Foto: Reprodução)
O governador Tarcísio de Freitas abriu o evento no Palácio dos Bandeirantes citando casos recentes que chocaram a população e reforçaram a urgência das medidas. Reprodução/TV Globo O governo de São Paulo anunciou nesta segunda-feira (30) a criação de uma força-tarefa para ampliar a rede de proteção às mulheres e tentar conter o avanço dos feminicídios no estado. A iniciativa reúne o Executivo paulista, o Tribunal de Justiça, o Ministério Público, o Tribunal de Contas e a Defensoria Pública. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) abriu o evento no Palácio dos Bandeirantes citando casos recentes que chocaram a população e reforçaram a urgência das medidas. Ele mencionou os feminicídios de Tainara, de Priscila e da policial militar Gisele, encontrada com um tiro na cabeça. O anúncio ocorre após o estado registrar alta nas mortes por feminicídio. Segundo dados da Secretaria da Segurança Pública (SSP), São Paulo contabilizou 55 casos no primeiro bimestre deste ano, o equivalente a uma mulher assassinada a cada 25 horas. O número representa aumento de 31% em relação ao mesmo período de 2025. Entre as ações anunciadas está um plano de metas para o enfrentamento à violência contra a mulher e um decreto que reclassifica as Delegacias de Defesa da Mulher (DDMs) para ampliar efetivo e tornar os postos mais atrativos para policiais. Veja os vídeos que estão em alta no g1 O pacote inclui ainda atendimento itinerante, com uma carreta equipada com assistente social, psicólogo, Defensoria e Ministério Público, que percorrerá municípios menores. Outra medida é a ampliação do monitoramento de agressores com tornozeleira eletrônica. Departamento especializado A secretária estadual de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, afirmou que o governo trabalha para estruturar um departamento especializado que coordene de forma integrada as ações de investigação de crimes contra mulheres, algo como um “DHPP da Mulher”. “A ideia do governo é avançar e estruturar um departamento para que coordene essas ações de maneira integrada. Estamos trabalhando para isso”, declarou. Embora o governo ainda não tenha definido nome nem data de implementação, integrantes da gestão afirmam, nos bastidores, que a criação do departamento já é considerada certa e deve funcionar dentro do Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil de São Paulo. A avaliação interna é de que a nova estrutura deve centralizar investigações e padronizar procedimentos voltados a crimes contra mulheres. A secretária estadual de Políticas para a Mulher, Adriana Liporoni, afirmou que o governo trabalha para estruturar um departamento especializado. Reprodução/TV Globo Nesta segunda, o governo também assinou cooperação técnica para fortalecer grupos reflexivos de homens, com ações de prevenção voltadas a paternidade, machismo e resolução de conflitos. Segundo Tarcísio, o estado estuda levar conteúdos educativos para escolas, desde a primeira infância. “Se a gente moldar a cabeça dos jovens, vamos ter mais sucesso”, afirmou. “É um problema super complexo, de caráter institucional. A única forma de termos sucesso é unir todos os órgãos e tornar isso prioridade. Temos que fazer com que os homens aprendam a lidar com frustrações, aprendam a receber um ‘não’. Esse é o nosso grande desafio”, concluiu. Recorde de feminicídios Em 2025, o estado de São Paulo registrou o maior número de casos de feminicídio para um ano desde que a série histórica foi iniciada, em 2018. Entre janeiro e dezembro, foram 270 ocorrências — em média uma mulher foi assassinada a cada 32 horas. Os dados são da Secretaria da Segurança Pública (SSP). No ano anterior, 246 mulheres foram mortas no estado. Ou seja, em um ano, os casos de feminicídio aumentaram mais de 8%. Tainara Souza Santos, Evelyn de Souza Saraiva, Camila Aparecida Montoro Cruz e tantas outras mulheres foram alvo de violência cometida por ex-companheiros no ano passado. As formas de ataque foram as mais brutais e cruéis: Tainara morreu e teve as pernas amputadas após ser atropelada e arrastada por um carro, Evelyn foi baleada seis vezes dentro do próprio trabalho e Camila era vítima de violência doméstica e foi atropelada em plena luz do dia. Confira os dados de feminicídio por ano no estado: 2018: 136 casos 2019: 184 casos 2020: 179 casos 2021: 140 casos 2022: 195 casos 2023: 221 casos 2024: 246 casos 2025: 270 casos A escalada de violência contra as mulheres também é verificada na capital. A cidade de São Paulo também bateu recorde histórico de feminicídios. Em 2025, foram registradas 60 mortes — contra 49 em 2024. Isto é, um aumento de mais de 22%. Veja os números de feminicídio na capital por ano: 2018: 29 casos 2019: 44 casos 2020: 40 casos 2021: 33 casos 2022: 41 casos 2023: 38 casos 2024: 49 casos 2025: 60 casos Desafios no combate à violência A violência contra a mulher é uma questão complexa, estrutural e profundamente ligada a uma sociedade patriarcal e machista, que se manifesta tanto nas relações privadas quanto nas falhas do poder público. Segundo a promotora Fabíola Sucasas, da Promotoria de Justiça de Enfrentamento à Violência contra a Mulher no Ministério Público de São Paulo (MP-SP), os pilares do combate à violência passam pelo foco no agressor, pela proteção efetiva às mulheres, pela educação de longo prazo e pelo orçamento público, sem os quais qualquer política tende a falhar. A delegada Eugênia Villa, criadora da primeira delegacia especializada em feminicídios do Brasil, também disse ao g1 que o "freio inibidor para um potencial feminicida é a sua imediata prisão conjugada com a inserção em programas que o auxiliem a refletir sobre masculinidades e relações de poder para transformar a disputa em ética do cuidado e solidariedade". Especialistas apontam que o papel do Estado é central nesse cenário, porém, vem mostrando muitas falhas, como a falta de políticas públicas, a ausência de delegacias de defesa da mulher em todos os territórios, falta de monitoramento das medidas protetivas e de implementação de grupos reflexivos para homens. Pesquisadores alertam também para os limites do direito penal: a punição, sozinha, não é suficiente para mudar comportamentos nem impedir a reincidência. O enfrentamento exige educação e prevenção como eixos centrais, com a abordagem de gênero desde a escola. Violência contra mulher: como pedir ajuda Como pedir ajuda? Se uma mulher for vítima de violência, é fundamental saber que ela não está sozinha e que existem canais oficiais e gratuitos para pedir ajuda, orientação e proteção. O atendimento pode ser feito de forma sigilosa e funciona mesmo que a vítima ainda não queira registrar boletim de ocorrência. Veja abaixo onde buscar apoio: 📞 Ligue 180 – Central de Atendimento à Mulher Funciona 24 horas, todos os dias. Oferece orientação, acolhimento, registro de denúncias e encaminhamento para a rede de proteção mais próxima. 🚨 Ligue 190 – Polícia Militar Deve ser acionado em situações de emergência ou quando a violência estiver acontecendo naquele momento. 🏛️ Delegacia da Mulher (DDM) Atendimento especializado para registro de boletim de ocorrência e solicitação de medidas protetivas. Onde não houver DDM, qualquer delegacia é obrigada a atender denúncias de violência doméstica. 💻 Delegacia Eletrônica (SP e outros estados) Permite registrar ocorrência online em casos de ameaça, lesão corporal e descumprimento de medida protetiva. ⚖️ Defensoria Pública Oferece assistência jurídica gratuita, inclusive para ações de divórcio, guarda de filhos e pedidos de proteção. 🤝 Centros de Referência da Mulher (CRAM) Oferecem acolhimento psicológico, social e orientação jurídica, com acompanhamento contínuo.

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/03/30/governo-de-sp-anuncia-forca-tarefa-para-protecao-as-mulheres-apos-alta-de-feminicidios-e-estuda-criacao-de-dhpp-da-mulher.ghtml


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