Crise e protestos na Bolívia travam expulsão de chefe do PCC preso no país
26/05/2026
(Foto: Reprodução) Gerson Palermo, chefe do PCC solto por desembargador de MS é preso na Bolívia
A crise política e os protestos na Bolívia têm atrasado a expulsão de Gerson Palermo, apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), preso nesta terça-feira (26) em Cotoca, na região de Santa Cruz de La Sierra.
Segundo fontes da Polícia Federal (PF) ouvidas pelo g1, a expectativa inicial era de que ele fosse entregue às autoridades brasileiras ainda nesta terça, mas a operação deve ocorrer apenas na quarta-feira (27).
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O vice-ministro da Defesa da Bolívia, Ernesto Justiniano, disse que os bloqueios e episódios de violência registrados no país têm dificultado ações de combate ao narcotráfico e colocado em risco operações policiais em regiões consideradas estratégicas.
“Neste momento, lamentavelmente, estamos com condições de bloqueio e violência em algumas partes, e este caos beneficia realmente o narcotráfico, porque impede ter uma presença do Estado em pontos centrais", destacou o vice-ministro da Bolívia.
🔎➡️A Bolívia enfrenta uma crise política e social marcada por protestos, bloqueios de estradas e desabastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos. As manifestações, que já duram quase um mês. A crise afeta principalmente cidades como La Paz e El Alto, onde há dificuldade no abastecimento e paralisação de serviços. Nesta segunda-feira (25), o presidente Lula (PT) autorizou o envio de ajuda humanitária brasileira ao país vizinho.
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Gerson Palermo, chefe do PCC solto por desembargador de MS, é preso na Bolívia
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Operação tenta trazer Palermo ao Brasil
Gerson Palermo foi preso na Bolívia após ficar seis anos foragido.
Reprodução
Gerson Palermo foi preso durante a manhã em uma ação conjunta entre autoridades bolivianas e brasileiras. Conforme apurado pelo g1, a primeira estratégia previa que ele fosse levado por terra até Corumbá (MS), na fronteira com a Bolívia.
Ao longo do dia, porém, as forças de segurança passaram a negociar um traslado aéreo. O deslocamento terrestre foi descartado devido ao risco de bloqueios e manifestações interromperem a operação. Palermo permanece na sede da Interpol em Santa Cruz de La Sierra.
A expectativa é que ele seja levado ao Brasil de avião e encaminhado ao sistema penitenciário federal.
Protestos na Bolívia
Manifestantes estão pedindo a renúncia do presidente Rodrigo Paz
Reuters
O Brasil anunciou na segunda-feira (25) que vai enviar ajuda humanitária à Bolívia, que vem enfrentando ondas de protestos contra o governo. O anúncio foi feito após uma conversa por telefone entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Rodrigo Paz, da Bolívia.
As ondas de protestos e bloqueios de estradas já duram quase um mês e vêm causando desabastecimento de alimentos, combustíveis e medicamentos no país.
"O presidente Lula reiterou sua solidariedade ao governo e ao povo bolivianos e ressaltou a importância do pleno respeito às instituições democráticas e ao Estado de Direito", disse a Presidência do Brasil em comunicado após a conversa.
O pedido por ajuda humanitária foi feito a Lula pelo presidente boliviano, que é conservador cristão de centro-direita. Os protestos contra o governo de Paz estão sendo liderados por setores do sindicato Central Operária Boliviana (COB), organizações camponesas e grupos ligados ao ex-presidente de esquerda Evo Morales, que rejeitou os pedidos do governo por diálogo.
Prisão de Palermo na Bolívia
Gerson Palermo, apontado como um dos chefes do PCC, foi preso nesta terça-feira (26) na Bolívia, após ficar seis anos foragido. A prisão ocorreu em uma ação conjunta entre a Polícia Federal brasileira e a polícia boliviana especializada no combate ao narcotráfico.
Condenado a quase 126 anos de prisão, Palermo fugiu em abril de 2020, após conseguir um habeas corpus durante um plantão judicial em Mato Grosso do Sul.
A decisão, assinada pelo então desembargador Divoncir Maran, autorizou que ele deixasse o presídio de segurança máxima em Campo Grande para cumprir prisão domiciliar. Cerca de cinco horas após ser solto, rompeu a tornozeleira eletrônica e desapareceu.
O criminoso estava na lista dos mais procurados do Sistema Único de Segurança Pública.
Infográfico - local onde Gerson Palermo foi preso, na Bolíva
g1 MS
Histórico criminal
Chefe do PCC solto por desembargador de MS é preso na Bolívia
Em agosto de 2000, Palermo participou do sequestro de um Boeing 737 da antiga Vasp. O avião saiu do Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu com destino a Curitiba e foi tomado por criminosos cerca de 20 minutos após a decolagem.
A aeronave foi forçada a pousar em Porecatu, no norte do Paraná. No local, a quadrilha roubou nove malotes do Banco do Brasil, com cerca de R$ 5,5 milhões. Pelo crime, Palermo foi condenado a 66 anos e 9 meses de prisão.
Em março de 2017, a Polícia Federal deflagrou a Operação All In para desmontar um esquema de tráfico internacional de drogas. Ele foi apontado como um dos chefes do grupo.
Segundo a investigação, a cocaína saía da Bolívia em aviões até Corumbá (MS) e depois era levada em caminhões para outros estados. A operação ocorreu em seis estados e apreendeu 810 quilos da droga.
Pelos crimes de tráfico e associação para o tráfico, Palermo foi condenado a mais 59 anos de prisão. Ao todo, as penas somam quase 126 anos.