Caso Porsche: MP manda polícia investigar namorada de Fernando Sastre e perito da defesa por falso testemunho e falsidade ideológica

  • 06/11/2026
(Foto: Reprodução)
Giovanna Silva, namorada de Fernando Sastre (ao centro quando foi ouvida antes do júri), e perito Alfredo Júnior, que integrou defesa técnica do empresário no julgamento, serão investigados pela polícia por determinação do MP. Reprodução O Ministério Público (MP) de São Paulo determinou na quarta-feira (4) a abertura de dois inquéritos policiais para investigar a namorada de Fernando Sastre de Andrade Filho e o assistente técnico que atuou na semana passada pela defesa do empresário no julgamento do caso do Porsche azul que matou o motorista de aplicativo Ornaldo da Silva Viana em 2024. Os promotores apontam indícios de falso testemunho por parte de Giovanna Pinheiro Silva e de falsidade ideológica envolvendo Alfredo Vieira das Neves Júnior. As determinações foram encaminhadas ao Departamento de Polícia Judiciária da Capital (Decap), unidade da Polícia Civil responsável pelas investigações criminais na capital paulista, pelos promotores Rodolfo Justino Morais e Lucas de Mello Schaefer. Como a determinação partiu do MP, caberá a polícia abrir os inquéritos e cumprir o que foi solicitado pela Promotoria. O g1 não conseguiu localizar as defesas de Giovanna Silva e Alfredo Júnior para comentar o assunto até a última atualização desta reportagem. Investigados estiveram no júri Como foi o julgamento do empresário Fernando Sastre, condenado a 17 anos de prisão Os representantes do MP atuaram no julgamento do caso realizado entre os dias 29 e 30 de outubro. O júri condenou Fernando Sastre, motorista do Porsche, a mais de 17 anos de prisão por homicídio qualificado com dolo eventual pela morte de Ornaldo e por lesão corporal gravíssima contra Marcus Vinicius Machado Rocha _então amigo do empresário e que estava no banco do carona do carro de luxo. Os jurados também reconheceram a qualificadora do perigo comum, por entenderem que a conduta atribuída ao empresário colocou outras pessoas em risco. O caso teve origem no acidente ocorrido na madrugada de 31 de março de 2024, na Avenida Salim Farah Maluf, na Zona Leste de São Paulo. Segundo a perícia, o Porsche dirigido por Fernando trafegava a 136 km/h em uma via com limite de 50 km/h quando bateu na traseira do Renault Sandero conduzido por Ornaldo. O motorista de aplicativo morreu no local, e Marcus sofreu ferimentos graves. Câmeras de monitoramento gravaram a batida (veja no vídeo abaixo). MP quer pena maior Vídeo mostra momento da batida de Porsche em carro de motorista de aplicativo Fernando está preso desde 6 de maio de 2024 e atualmente cumpre a pena na Penitenciária de Potim, no interior paulista. Durante o julgamento, ele admitiu pela primeira vez ter consumido bebida alcoólica antes de dirigir, tema que esteve no centro das discussões entre acusação e defesa ao longo do processo. Antes, o empresário sempre negou ter bebido. Ao final do júri, Fernando foi condenado a 17 anos, um mês e 10 dias anos de prisão. Nesta semana, o MP recorreu da decisão e pediu ao Tribunal de Justiça (TJ) o aumento da pena para 27 anos. A defesa do empresário vai pedir a desclassificação do crime de homicídio por dolo eventual para homicídio culposo, sem intenção de matar. Os pedidos ainda não foram analisados. Pela legislação brasileira, a Polícia Civil deve instaurar inquérito quando recebe uma requisição formal do Ministério Público. As medidas determinadas pelos promotores têm amparo na Constituição Federal e no Código de Processo Penal. Namorada mentiu, diz MP Fernando Sastre de Andrade Filho e Ornaldo da Silva Viana Reprodução Em relação a Giovanna, o MP afirma que ela negou, em diferentes fases da investigação e da ação penal, que Fernando tivesse ingerido bebidas alcoólicas antes do acidente. Segundo os promotores, a mulher declarou que o empresário havia consumido apenas água nos locais que frequentou naquela noite. No entendimento deles, ela mentiu. A acusação sustenta, porém, que essa versão é incompatível com as provas produzidas no processo. Entre os elementos citados estão a admissão feita pelo próprio Fernando durante o júri, documentos reunidos pela investigação e depoimentos de testemunhas. Giovanna, namorada de Sastre (no detalhe), é expulsa do plenário do júri por juíza por mau comportamento. Reprodução Segundo o MP, a comanda paga pelo empresário registrou nove drinks alcoólicos. Testemunhas _incluindo Marcus_ também relataram que ele aparentava sinais de embriaguez e chegou a ser alertado para não dirigir. Para os promotores, há indícios de que Giovanna tenha faltado com a verdade sobre um dos pontos centrais discutidos no julgamento. A medida é mais um desdobramento da participação de Giovanna no júri. Durante a sessão realizada entre 29 e 30 de outubro, ela foi retirada do plenário por determinação da juíza após tumultuar os trabalhos e acabou multada em cerca de R$ 16 mil (veja foto acima). Horas antes, ela havia faltado à chamada para testemunhar no caso. MP acusa perito de informações incompatíveis Perito Alfredo Júnior durante seu depoimento no julgamento. Reprodução Em outra frente, o MP determinou a abertura de investigação para apurar a atuação de Alfredo Júnior, assistente técnico da defesa. Segundo os promotores, o parecer apresentado por ele sustentava que fatores relacionados ao Porsche poderiam ter contribuído para a dinâmica da colisão e que não seria possível atribuir exclusivamente ao motorista as causas do acidente. Os promotores afirmam, no entanto, que o documento contém informações incompatíveis com dados técnicos obtidos durante a investigação e com informações fornecidas pela fabricante do automóvel. Na avaliação do MP, os fatos podem caracterizar o crime de falsidade ideológica. Entre as diligências solicitadas estão o interrogatório de Alfredo, a análise do depoimento prestado por ele durante o júri e a comparação entre os dados do carro e as conclusões apresentadas em seu parecer técnico. Fernando Sastre Filho durante seu interrogatório no Fórum Criminal da Barra Funda, Zona Oeste de São Paulo. Reprodução

FONTE: https://g1.globo.com/sp/sao-paulo/noticia/2026/11/06/caso-porsche-mp-manda-policia-investigar-namorada-de-fernando-sastre-e-perito-da-defesa-por-falso-testemunho-e-falsidade-ideologica.ghtml


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